sexta-feira, 2 de abril de 2010

Rejeição


Com base a todos os tipos de transtornos, problemas emocionais, afetivos, depressivos, neuroses, psicoses enfim tudo que acarretam uma insatisfação no individuo, entende-se que tudo tem uma questão de ser e por que... Como para tudo na vida sempre estamos em buscas de respostas para qualquer que seja a situação resolvi pesquisar um pouco de cada transtorno.

Obviamente não ressaltando a todos os assuntos resolvi estudar o sujeito desde o seu princípio, envolvendo o seu princípio através de seus pais. Apesar das pesquisas terem me mostrado muitas ressalvas o mais comum que encontrei entre elas foi a REJEIÇÃO.

No entanto a que mais me chamou a atenção foi a rejeição materna, pois presume-se que as demais são ocasionalidades da vida, porém a materna que na maioria dos casos ocorre antes mesmo do nascimento do filho através de abortos onde essas colocam suas próprias vidas em risco. Mas quando de fato isso não ocorre vemos casos bárbaros e revoltantes que entram inclusive a religiosidade, onde a pergunta que não quer calar é; Onde está Deus nesse momento que não protege essa criança inocente que nem ao menos pedido pra nascer.

Casos comuns de mães que abandonam seus filhos ainda vivos e os deixam sozinhos esperando pela morte, tornou-se basicamente uma coisa comum, comum relacionado a quantidade de casos, porque na realidade a sociedade se revolta e de fato nunca vai deixar de se revoltar.

Dentre muitos casos vou citar um que aconteceu recentemente. Em Floriano no Piauí em 2009, umas equipes de garis encontraram um bebê de nove meses jogado no lixo, Os garis perceberam que a criança estava no meio do entulho quando iam prensar o lixo do caminhão. O corpo estava dentro de uma sacola e só foi encontrado por que a sacola rasgou e os garis viram o pé da criança.

Esta é a cena que causa revolta em qualquer sujeito na realidade, acho que se difere a uma variação de raiva e tristeza.

O QUE LEVA UMA MÃE ABANDONAR SEU FILHO?

De acordo que de alguma forma foi permitido o abandono de crianças, desde os tempos imemoriais Variaram, apenas, as motivações, as circunstâncias, as causas, as freqüências e as atitudes em face do fato praticado e aceito.

Não esquecendo o contexto de pobreza no Brasil que se encontra a maioria dos casos de abandono de crianças: o abandono tanto pela a negligência quanto o abandono nas ruas, lixos e maternidades. Este fenômeno está fortemente associado à proibição legal do aborto, à miséria, à falta de esclarecimento à população e à falta de amparo familiar. A maioria dos abandonos se dá por mães jovens, solteiras, com dificuldades financeiras, sem apoio do parceiro e da família. São, em sua maioria, mães excluídas, que abandonam porque foram abandonadas.

A rejeição maternal, quando causada pela depressão pós-parto, cientificamente chamada de psicose puerperal se apresenta em níveis diferentes de intensidade e tempo, podendo variar de um simples desânimo ou ansiedade, excesso de sono ou insônia, falta de desejo sexual, medos, sensação de estar falhando como mãe, desconcentração, e sentimentos ambivalentes em relação ao bebê, como se não conseguisse gostar dele. Em alguns casos, a mãe pode agredi-lo ou ainda atentar contra a sua vida. Para alguns médicos a teoria mais aceitas é a alteração hormonal ao nível dos hormônios que sustentam a amamentação: a progesterona, prolactina e ocitocina. Essas substâncias agem no cérebro da mulher, modificando a relação dos neurotransmissores serotonina, adrenalina, dopamina e noradrenalina, causando a depressão. O especialista alertou para o fato de uma doença orgânica, que depende do metabolismo individual.

O tratamento desta síndrome é à base de antidepressivos, explicou o médico, desmistificando o fato de que só mulheres com problemas familiares, casamentos desestruturados ou outros traumas é que podem sofrer desta doença. “A depressão após o parto não tem necessariamente relação com traumas da mãe”, explicou. No entanto, se ela já sofre de depressão, se teve uma gravidez difícil, certamente será mais propensa a apresentar um quadro depressivo. A depressão é um caso patológico, gerado pela expectativa do nascimento do bebê. “São muitas mudanças na vida da mulher, ela pode reconhecer na criança um motivo para sua privação, e surge a tendência de rejeitá-la”. O que acontece uma luta interna, pois ao mesmo tempo em que a mulher quer a criança porque a ama reconhece nela a culpada por tantas mudanças em sua vida. “Pode acontecer com qualquer pessoa, mesmo aquelas que têm sua vida estruturada, um casamento equilibrado e que planejou ser mãe.

Estudos de Comportamento.

Uma experiência realizada com macacos fiquei com dó dos bichinhos, era assim os macaquinhos foram divididos em dois grupos de estudos, uns formam criados em uma jaula onde no centro existia um tubo forrado com carpete, e ali eram colocadas as mamadeiras para eles se alimentarem, os macaquinhos se alimentavam, bebiam o leite e depois ficavam aconchegados, agarrados ao carpete macio, como se estivessem aconchegados, agarrados às suas próprias mães.

Os outros grupos de macaquinhos foram criados em jaulas onde no centro havia um tubo cheio de espetos, pontas que machucavam, feriam, agrediam os macaquinhos se estes se encostasse a elas. Acontece que a mamadeira ficava neste tubo cheio de espetos, e para se alimentarem os macaquinhos tinham que ir até lá e então eram machucados e feridos pelos espetos. Após beberem o leite estes macaquinhos iam para um canto da jaula e lá ficavam.

Os macaquinhos que foram criados na jaula com a mãe de carpete, cresceram seguros de si, não tinham medo de explorar lugares desconhecidos, exploravam o local para conhecê-lo,quando colocado junto de outros macacos tinham uma boa interação com eles, brincavam, pulavam, saltavam, quando estavam sós e também quando estavam em companhia de outros macacos.

Os macaquinhos que foram criados na jaula com a mãe de arame, cresceram inseguros, medrosos, assustados, quando colocados em um lugar desconhecido tinha reação de medo, ficam em um canto assustados, não buscavam explorar e conhecer o lugar, não interagiam com outros macacos, ficavam sempre em atitude de esquiva, ou em atitude de defesa, às vezes assustados, muitos quietos, às vezes agressivos, não participavam das brincadeiras com outros macacos, não se movimentavam (brincar, pular, saltar) muito, seja quando estavam sós ou quando estavam em companhia de outros macacos, permaneciam a maior parte do tempo encolhidos em algum canto do ambiente.

Autora: Maurilia Gurgel

22 comentários:

Moderador disse...

Muito bom o texto. Parabéns.

disse...

Gostei muito do texto!É um assunto interessante e que ainda não é muito discutido.Deveria ser,para passar mais informação as pessoas sobre esse assunto.Parabéns pelo texto!

Swuy disse...

Esse texto mostra a importância de uma análise profunda de casos de abandono. Algumas mães podem deixar seus filhos porque precisam de ajuda. A depressão pós-parto é extremamente devastadora, principalmente porque coloca em risco a vida de uma criança totalmente indefesa. O senso comum costuma julgar as mães que abandonam seus filhos como se fossem todas iguais e criminosas e parte do trabalho de um psicólogo de baseia em encontrar motivos que expliquem sua atitude. Com a trabalho conjunto de médicos - que devem ser treinados para observar sinais de depressão em mulheres que acabaram de se tornar mães e as encaminharem para ajuda psicológica, essas mulheres podem superar esse momento e se tornarem totalmente aptas a cuidarem de seus filhos.

Sem julgamentos, sem preconceitos.



Mayara Swuyanny A. de Carvalho

juliana_cruz disse...

O texto fala de vários pontos de vista do mesmo fato. Uma criança abandonada e/ou rejeitada tera conseguências pelo resto da vida, mas as vezes a mãe também. Muitas vezes quando a mãe rejeita o filho ela é condenada sem direito a defesa(levando em conta a sociedade) e talvez ela tanha tenha feito isso por vários motivos, que vão desdo social ao biologico. E nesses cassos tudo tem que ser levado em conta, afinal estamos lidando com seres humanos.

PS: também fiquei com dó dos macacos.


Juliana Costa Cruz

Anônimo disse...

Muito interessante o texto! A rejeição é um tema muito importante. Principalmente quando é praticado pelas mães, porque a maioria delas necessita de acompanhamento e tratamento psicológico. O que para a maioria é uma atitude drástica, uma barbaridade ou até mesmo um crime, pode ser de desequilíbrio emocional. O caso é que é necessário em vez de criticar a mãe que rejeita seu filho, disponibilizar um atendimento psicológico que possa auxiliá-la.

Fernanda de Oliveira Valente

Anônimo disse...

Achei o texto interessante por se tratar de um assunto que está tornando-se comum e é pouco divulgado. Serviu para entendermos que além de poder acontecer com qualquer pessoa, pois os fatores estão relacionado com o cérebro, pode ser influenciada por outros como a desigualdade social. Lendo este texto paramos mais uma vez para refletir sobre a crueldade do nosso país.

Eleen Rinna Cardoso Cavalcante

Anônimo disse...

Os casos de abandono infantil vai muito além do que é divulgado na mídia. O abandono, em todas as suas formas, traz consegûencias emocionais e psiquicas devastadoras ao abandonado, e acredito que também,na maioria das vezes, para quem o pratica.
A falta de uma politica educacional séria, como também programas para desenvolvimento de jovens,tanto no campo motivacional como também um apoio psicológico para um melhor desenvolvimento afetivo, emocional e profissional,uma política de geração de emprego e renda mais eficaz, poderiam ser ferramentas importantes para o desenvolvimento.As grandes diferenças sociais em nosso país, contribuem para o agravamento desta questão.

Márcia Mosa Lage Rodrigues disse...

Os casos de abandono infantil vai muito além do que é divulgado na mídia. O abandono, em todas as suas formas, traz consegûencias emocionais e psiquicas devastadoras ao abandonado, e acredito que também,na maioria das vezes, para quem o pratica.
A falta de uma politica educacional séria, como também programas para desenvolvimento de jovens,tanto no campo motivacional como também um apoio psicológico para um melhor desenvolvimento afetivo, emocional e profissional,uma política de geração de emprego e renda mais eficaz, poderiam ser ferramentas importantes para o desenvolvimento.As grandes diferenças sociais em nosso país, contribuem para o agravamento desta questão.

Anônimo disse...

A abordagem perfeita.. parabens pelo texto acho que a revolta causada não tem base sem motivos comprovados

Anônimo disse...

Contudo, a interpretação segundo a psicanálise nunca é definitiva e nada responde. A singularidade que nos constitui como sujeito possibilita interpretações diferenciadas se comparada com a de outros psicoterapeutas. Esta singularidade é efeito das experiências inconscientes vividas pelo inconsciente, e isso propicia um universo cheio de possibilidades, de produção de sentidos

Karina Golveia

Anônimo disse...

Contudo, a interpretação segundo a psicanálise nunca é definitiva e nada responde. A singularidade que nos constitui como sujeito possibilita interpretações diferenciadas se comparada com a de outros psicoterapeutas. Esta singularidade é efeito das experiências inconscientes vividas pelo inconsciente, e isso propicia um universo cheio de possibilidades, de produção de sentidos
Karina Golveia

Anônimo disse...

"A psicanálise afirma que o amor materno não existe em todas as mulheres como tentou fazer crer a moral burguesa do século XX. Se puxarmos um pouco a história para o séc.XVI, as mulheres, por exemplo, entregavam seus filhos para as “amas” e alguns deles jamais voltavam a seus lares. A partir do séc XVIII a presença da mãe passou a ser importante (imposta) em vários aspectos dentre eles o educacional e o religioso.

Parabéns pelo texto

Ass: Elenir Paro Psicologia Fanor

Anônimo disse...

Todo tipo de rejeição é ruim, porém quando escutamos notícias de que o rejeitador foi a mãe nos choca ainda mais. Isso se deve ao fato de que quando pensamos em mãe lembramos de amor e proteção e é extremamente assustador quando vemos que a pessoa que deveria cuidar e proteger foi exatamente a que abandonou. Parabéns pelo texto, muito bem escrito e instigante.

Louiziana Ponce

Anônimo disse...

Rejeição Materna
Nada justifica jogar o seu proprio filho no lixo. aonde tem tantas pessoas que lutão a procura de ter um filho ou até mesmo adotalo e não conseguem...
Ate porque filho não pede para vir ao mundo .
Não somos obrigados a ver tantas coisas ruins acontecer mais infelismente este é o mundo em que vivemos.
otimo texto Rejeição palavra forte e que magoa profundamente.
Parabéns amiga.

Ednalva dias amorim
psicologia manhã.

Anônimo disse...

Parabéns Maurília, gostei muito do tema abordado e das pesquisas tomadas para a elaboração do seu texto, o tema é muito polêmico e realmente quando surgem casos desse tipo na mídia eles comomovem muitas pessoas, inclusive a mim. Bem, se me permite, respondendo a pergunta lansada:"onde está Deus nesse momento que não proteje essa criança inocênte?"
tenha certeza que Deus valoriza muito a vida desse pequenino ser humano e Ele não tem culpa das atitudes irresponsáveis tomadas pelos ditos responsáveis por essa criança e a legalização do aborto não é a causa primeira para o acontecimento desse fenômeno, a sua legalização iria aumentar a desvalorização da vida humana.
O seu trabalho está muito rico e traz informações específicas e muito importantes para a sua compreensão no contexto atual. novamente parabéns!!!

Samuel Victor Moreira Venceslau Psicologia manhã 1° semestre

Anônimo disse...

A rejeição não é uma escolha: nem de quem rejeita, muito menos de quem é rejeitado.
Uma doença como a depressão na gestação e no pós parto pode comprometer todo a estrutura emocional da mãe e da criança, muitas vezes de forma definitiva. Nós crescemos e nos desenvolvemos com certa ilusão de que correu tudo bem nos primeiros anos de nossa vida, e fato é que muitas, senão a maioria, das nossas questões emocionais, angústias, medos e culpas podem ter sido gerados involuntariamente e não intencionalmente na nossa primeira e mais intensa relação de amor. Esse fato deve atentar aos que acompanham a mulher nos períodos de pré e pós parto, devendo assumir uma postura responsável na identificação e encaminhamento para tratamento no intuito de minimizar os impactos das possíveis consequencias na criança e em seu desenvolvimento psíquico e emocional.

Ana Paola Hamam Porro

Anônimo disse...

UM TEMA QUE NINGUEM NUNCA HOUVE FALAR MAS QUANDO SE FALA DESPERTA A ATENÇÃO DE MUITA GENTE

Anônimo disse...

deveria mesmo ser mais comentado esse assunto. Uma mãe dessa é sem noção! a sociedade não esta afim de saber sobre transtorno nao

Anônimo disse...

depressão? e esses bebês ficam como? muitas mães querem adotar? pq não dão para adoção?

IEDA SAMPAIO disse...

O texto nos leva a pensa que seres humanos são sujeitos a sentimentos os mais diversos e gente que são, precisam de um olhar amoroso e respeitoso frente às suas limitações.

Claro que não é certo uma mãe abandonar uma criança, mas todos os aspectos dessa questão devem ser abordadas e consideradas para não cairmos nos 'achismos' e na intolerância que não ajuda e fortalece mais ainda sentimentos negativos que se assemelham á própria rejeição, tão atacada por todos.

Parabéns pelo blog.

Psicanalista Ieda Sampaio
www.iedasampaio.blogspot.com

IEDA SAMPAIO disse...

O texto nos leva a pensar que seres humanos são sujeitos a sentimentos os mais diversos e gente que são, precisam de um olhar amoroso e respeitoso frente às suas limitações.

Claro que não é certo uma mãe abandonar uma criança, mas todos os aspectos dessa questão devem ser abordadas e consideradas para não cairmos nos 'achismos' e na intolerância que não ajuda e fortalece mais ainda sentimentos negativos que se assemelham á própria rejeição, tão atacada por todos.

Parabéns pelo blog.

Psicanalista Ieda Sampaio
www.iedasampaio.blogspot.com

IEDA SAMPAIO disse...

A propósito, tenho um texto sobre Solidão no Casamento.

Vocês permitiriam que eu o postasse aí neste tão respeitável site?

Abraço